Tuesday, February 28, 2006

Suave veneno.
Suave veneno que se espalha pelo meu corpo, me percorre toda, me embriaga, me deixa zonza, me faz cair, morta, morta mais uma vez para mim e para os outros.
Suave veneno que me acorda sob a luz forte dos projectores.
Um veneno tão suave que me despe da minha pele e me coloca noutra, uma pele nova, pronta a ser explorada e sou outra e sou quem não sou e sou tudo o que me permito a ser, sou, sem que mais ninguém saiba, uma que não eu e eles só desconfiam e não sabem que é veneno, um suave veneno que me percorre o corpo, e me sai pela boca num texto ensaiado, sai pela boca, não pela minha, pela da outra, da outra que o veneno arrancou de mim e à qual empresto o corpo.
Suave veneno esse que me faz dar de mim o que não tenho, me faz dar de mim a alma, que me coloca nua debaixo duma pele que não é minha, duma roupa que não é a minha, de palavras que não são as minhas, gestos que não os meus.
Não sou eu, sou ela e ela é quem dela fizeram.
Envolta em pós de mágica, de uma noite que tomba sempre que se apagam as luzes, uma noite que cai no meio de veludos e pancadas, uma noite enfeitada por estrelas sim, mas de alumínio, cartão, autocolante, estrelas, outras ainda cadentes, cadentes todas elas, como os homens… uma noite fingida, falsa, que rompe na repetição duma voz cansada, na premeditação de um gesto, no silêncio de uma sala cheia.
Enveneno-me suavemente através de um mundo em que nada é o que parece, onde tudo se constrói para enganar o mais atento dos espectadores, onde se contam histórias de ninguém para todos. Histórias que encantam ou incomodam, que aborrecem ou estimulam, histórias lidas e relidas por quem se dispõe a vivê-las, por quem lhes empresta o corpo e a alma, como eu.
Tomo o veneno e já não sou eu, não sou eu como me conheço, sou eu capaz de muitas outras coisas, tomo o veneno e o meu corpo acorda dum torpor que me tolda a razão, me faz falar de coisas que não conheço, me faz respirar fundo e querer mais.
Veneno, droga, qualquer coisa que me vai deixando viciada, agarrada, dependente.
Procuro, procuro o veneno que me leva de novo àquele mundo… mundo subversivo… mundo de anestesias, de momentos, de papel de cenário, de máscaras… de pessoas falsas, pessoas que não são e que vivem todas elas das que são e tomam o mesmo veneno que eu.
Nem os aplausos me sacodem daquele amolecimento, daquela embriaguez, ao contrário, são como uma segunda dose, uma dose mais forte de veneno, uma chicotada de adrenalina que me percorre a espinha, me põe os sentidos em alerta, todos ao mesmo tempo e sinto-me capaz de desaparecer por entre cada aplauso, cada barulho da multidão. Sinto os meus dedos entrelaçados nos de outrem, outro alucinado como eu, repetem-se os mesmos gestos, gastam-se as mesmas palavras, por convenção, por um não sei quê marcado a papel químico e no dia seguinte ele lá estará para entrelaçar as mãos dele nas minhas e beber do mesmo veneno suave que eu bebo.
Agora, ressacada desse veneno aguardo a próxima vez… o meu corpo deseja saciar mais uma vez essa sede, saciar-se daquela droga e aguarda, impaciente, a próxima vez que será sempre a última, até que eu sinta novamente o apelo, o grito, o desejo de me perder naqueles momentos de púrpura liquida… só mais uma vez a subida ao palco, a repetição, o aplauso.
Suave veneno este de querer representar.

Saturday, February 25, 2006

UndErWateRLovE

This must be underwater loveThe way I feel it slipping all over meThis must be underwater loveThe way I feel itO que que é esse amor, d’águaDeve sentir muito parecido a esse amorThis is itUnderwater loveIt is so deepSo beautifully liquidEsse amor com paixão, aiEsse amor com paixão, ai que coisaAfter the rain comes sunAfter the sun comes rain againAfter the rain comes sunAfter the sun comes rain againThis must be underwater loveThe way I feel it slipping all over meThis must be underwater loveThe way I feel itO que que é esse amor, d’águaEu sei que eu não quero mais nadaFollow me nowTo a place you only dream ofBefore I came alongWhen I first saw youI was deep in clear blue waterThe sun was shiningCalling me to come and see youI touched your soft skinAnd you jumped in with your eyes closedAnd a smile upon your faceVocê vem, você vaiVocê vem e caiE vem aqui pra cáPorque eu quero te beijar na sua bocaQue coisa loucaVem aqui pra cáPorque eu quero te beijar na sua bocaAi que boca gostosaAfter the rain comes sunAfter the sun comes rain againAfter the rain comes sunAfter the sun comes rain againCai cai e tudo tudo caiTudo cai pra lá e pra cáPra lá e pra cáE vamos nadarY vamos nadar e tudo tudo dáThis must be underwater loveThe way I feel it slipping all over meThis must be underwater loveThe way I feel itOh oh d’água we are fullUnderwaterOh underwater loveThis underwater loveThis underwater love Underwater love

Wednesday, February 22, 2006

Estórias... Assim começam, assim acabam.

Era uma vez.

Era uma.


Era.























Fim.

Dou comigo na corrente...

Pois é, é o que uma pessoa ganha por visitar blogs..
Bem, então é o seguinte, no seguimento duma corrente qualquer que eu não sei muito bem como começou mas que alguém, mais propriamente o menderes, me passou, cá vai:

Cinco traços de personalidade:

@Preguiçosa
@Sonhadora
@Teimosa
@Inconstante
@Timida

Cinco hábitos estranhos:

@Deitar-me sempre depois das duas da manhã, mesmo que no dia seguinte tenha de estar às oito em Lisboa.
@Roer as peles que nascem à volta das unhas.
@Pensar que uma coisa me vai dar sorte, achar isso uma tolice e voltar atrás para a fazer...
@Fazer diálogos com alguém ( na mnha cabeça) sempre que estou chateada com alguma coisa.
@Cantar ao mesmo tempo que me esqueço que estou na rua e vou sozinha... ( People stare!)


E agora a melhor parte =P
Fazem favor de continuar a corrente as seguintes pessoas :

Joana C. Insano Gui Karl e who cares?

Friday, February 17, 2006

Feeling Good


Birds flying high
you know how I feel
Sun in the sky
you know how I feel
Reeds driftin’ on by
you know how I feel
It’s a new dawn
It’s a new day
It’s a new life
For me
And
I’m feeling good
Fish in the sea
you know how I feel
River running free
you know how I feel
Blossom in the tree
you know how I feel
Dragonfly out in the sun
you know what I mean,
don’t you know
Butterflies all havin’ fun
you know what I mean
Sleep in peace when day is done
That’s what I mean
And this old world is a new world
And a bold world
For me
Stars when you shine
you know how I feel
Scent of the pine
you know how I feel

Oh freedom is mine
And I know how I feel
Nina Simone

Monday, February 13, 2006

Bem, não costumo fazer isto, mas às vezes há coisas que nos falam e são-nos ditas por pessoas das quais não o esperamos.
Assim, fica aqui um convite para visitarem este BLOG.
Aqui fica uma pitada do que podem encontrar:

" “Sabes..” recomeças mais uma vez, com aquela voz terna que só a ouvia em momentos muito especais, “acho que todos nós sonhamos com principies e princesas, afinal queremos ser felizes e por vezes perdemo-nos nesses pensamentos, tanto que eles passam a fazer parte de uma realidade só nossa e daqueles a quem os partilhamos.. os principies e princesas deixam de ser fantasia e passam a ser reais.. podem tocar-se e ser felizes por momentos um mundo há parte .. paralelo ao real..”, sorris como se recordasses um momento e aos poucos percebo o que dizes, “e eu fui feliz posso dize-lo sem medo.. porque, quando me recordo ainda sinto essa mesma felicidade que me enchia, e penso que sinto isso, porque vivo para mim e não em função dos outros e do que estes pensam.” Estendes a tua mão em direcção a minha cara, sentes cada relevo, cada detalhe com a ponta dos dedos, passa-los primeiro pelos olhos, e depois pelos lábios e vais descende-os lentamente pelo pescoço pela, pelo peito, pela barriga, tocas-me sem dizeres nada como que recordando e ao mesmo tempo guardando cada detalhe de mim, (...)"