Que entre nós se dêem apenas as palavras mais doces e ternas, as mãos mais fortes e amantes de sonhos, que das nossas cabeças penda um fio de prata, desses que ligam o poeta à inspiração e ao amor transcendente.
Que tenha sempre esta fragilidade que inspira aos maiores cuidados e seja sempre desta solidez, desta força que resiste aos abalos do mundo real.
Tenha sempre este misto de voluntária rendição que nos envolve e nos funde, que nos liberta e nos reinventa.
Tenhas sempre conforto nos meus braços, nas minhas palavras, no meu colo e no meu riso.
Que cada uma das tuas lágrimas terminem na ponta dum sorriso, no calor de um abraço, na certeza dum sonho.
Tens em mim um refúgio, volta sempre que quiseres, parte se é de teu desejo. Será enquanto for, mas adivinho que já nem sou eu sem ser assim.
Abandonou-lhe o ouvido, beijou-lhe a face, passou-lhe as costas da mão pela face, voltou a deitar-se ao seu lado, aninhou-se a ele que dormia e soube que estava exactamente onde queria estar. Uma lágrima caiu-lhe do olhar…
Fechou os olhos e desejou que nunca mais apagassem as estrelas.
