Sunday, July 23, 2006

Pré se...

Que entre nós se dêem apenas as palavras mais doces e ternas, as mãos mais fortes e amantes de sonhos, que das nossas cabeças penda um fio de prata, desses que ligam o poeta à inspiração e ao amor transcendente.

Que tenha sempre esta fragilidade que inspira aos maiores cuidados e seja sempre desta solidez, desta força que resiste aos abalos do mundo real.

Tenha sempre este misto de voluntária rendição que nos envolve e nos funde, que nos liberta e nos reinventa.

Tenhas sempre conforto nos meus braços, nas minhas palavras, no meu colo e no meu riso.

Que cada uma das tuas lágrimas terminem na ponta dum sorriso, no calor de um abraço, na certeza dum sonho.

Tens em mim um refúgio, volta sempre que quiseres, parte se é de teu desejo. Será enquanto for, mas adivinho que já nem sou eu sem ser assim.

Abandonou-lhe o ouvido, beijou-lhe a face, passou-lhe as costas da mão pela face, voltou a deitar-se ao seu lado, aninhou-se a ele que dormia e soube que estava exactamente onde queria estar. Uma lágrima caiu-lhe do olhar…

Fechou os olhos e desejou que nunca mais apagassem as estrelas.

Sunday, July 16, 2006

***You make me tap dance on the ceiling***

Saturday, July 15, 2006

Já escrevi isto há algum tempo...
(Foi quando te senti longe... afinal, estava enganada... felizmente. )

Era um dia como os outros.

Ou não seria?!

Seja como for precisava de escrever algo cortante, algo que fizesse doer, que deixasse uma ferida aberta, que gritasse dor e sofrimento.

Tinha de escrever palavras de arestas graves, de cantos bicudos.

Precisava de fracturas expostas, carne, osso, sangue… precisava de torturar cada instante, cada suspiro, cada olhar.

Queria ver as lágrimas caírem, precipitarem-se desses olhos grandes e ternos.

Palavras que fizessem ruir os sonhos, fizessem cair sobre o meu mundo uma sombra, uma ruína, que me atirassem ao abismo.

Mas então não me reconhecia.

Não me fiz ver clara.

Não sabia onde me tinha escondido, talvez atrás dessas palavras duras que arranquei a ferros de dentro de mim.

Falsas.

Todas elas eram falsas, porque não existiam realmente em mim.

O que eu sonhei para aquele dia foi poder dizer-te todas as palavras doces que me fazem chegar a ti.

Que te marcam, que te tatuam, mas que não ferem, que não fazem sangrar.