Friday, June 29, 2007

Era eu a convencer-te que gostas de mim
E tu a convenceres-te que não é bem assim...
Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro
E tu a argumentares os teus inevitáveis
Eras tu a dançares em pleno dia
E eu encostado como quem não vê
Eras tu a falar para esconder a saudade
E eu a esconder-me do que não se dizia
Afinal quebramos os dois...
Desviando os olhos por sentir a verdade
Juravas a certeza da mentira
Mas sem queimar demais
Sem querer extinguir o que já se sabia
Eu fugia do toque como do cheiro
Por saber que era o fim da roupa vestida
Que inventara no meio do escuro onde estava
Por ver o desespero na cor que trazias...
Afinal quebramos os dois...
Eras eu a despir-te do era pequeno
E tu a puxares-me para um lado mais perto
Onde se contam historias que nos atam
Ao silencio dos lábios que nos mata...!
Eras tu a ficar por não saberes partir...
E eu a rezar para que desaparecesses...
Era eu a rezar para que ficasses...
E tu a ficares enquanto saías...
Não nos tocamos enquanto saías
Não nos tocamos enquanto saímos
Não nos tocamos e vamos fugindo
Porque quebramos como crianças
Afinal quebramos os dois......
É quase pecado o que se deixa......Quase pecado o que se ignora...

Toranja

Sunday, June 17, 2007

everybody here wants you

Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,coffee smell and lilac skin, your flame in me.Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,coffe smell and lilac skin, your flame in me.I'm only here for this moment.I know everybody here wants you.I know everybody here thinks he needs you.I'll be waiting right here just to show youHow our love will blow it all away.Such a thing of wonder in this crowd,I'm a stranger in this town, you're free with me.And our eyes locked in downcast love, I sit here proud,Even now you're undressed in your dreams with me.I'm only here for this moment.I know everybody here wants you.I know everybody here thinks he needs you.I'll be waiting right here just to show youHow our love will blow it all away.I know the tears we cried have dried on yesterdayThe sea of fools has parted for usThere's nothing in our way, my loveDon't you see, don't you see?Don't you see, don't you see?You're just the torch to put the flameto all our guilt and shame,And I'll rise like an ember in your name.I know, I know,I know everybody here wants you.I know everybody here thinks he needs you.I'll be waiting right here just to show youLet me show that love can rise, rise just likeembers.(While "I know everybody here wants you." Repeats)Love can taste like the wine of the ages, baby.And I know they all look so good from a distance,But I tell you I'm the one.I know everybody here will thinks he needs you,thinks he needs youAnd I'll be waiting right here just to show you.Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,coffee smell and lilac skin, your flame in me.Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,coffe smell and lilac skin, your flame in me.I'm only here for this moment.I know everybody here wants you.I know everybody here thinks he needs you.I'll be waiting right here just to show youHow our love will blow it all away.Such a thing of wonder in this crowd,I'm a stranger in this town, you're free with me.And our eyes locked in downcast love, I sit here proud,Even now you're undressed in your dreams with me.I'm only here for this moment.I know everybody here wants you.I know everybody here thinks he needs you.I'll be waiting right here just to show youHow our love will blow it all away.I know the tears we cried have dried on yesterdayThe sea of fools has parted for usThere's nothing in our way, my loveDon't you see, don't you see?Don't you see, don't you see?You're just the torch to put the flameto all our guilt and shame,And I'll rise like an ember in your name.I know, I know,I know everybody here wants you.I know everybody here thinks he needs you.I'll be waiting right here just to show youLet me show that love can rise, rise just likeembers.(While "I know everybody here wants you.")Love can taste like the wine of the ages, baby.And I know they all look so good from a distance,But I tell you I'm the one.I know everybody here will thinks he needs you,thinks he needs youAnd I'll be waiting right here just to show you.

Jeff Buckley

Thursday, June 14, 2007

Caixinha de música

impregno-me em ti como um perfume
como quem veste a pele de odores ou a alma de
cetins
quero que me enlaces ou me enfaixes de muitos
laços
abraços fitas ou fios transparentes
em celofane brilhando uma prenda
uma menina te traz vestida de lumes
incandescendo incandescentete
quer embrulhada em véus de seda e brocado
encantada a serpente a flauta o mago
senhor toca
e quando me toca
o corpo eu abro
caixinha de música
dentro
com bailarina que dança
(Ana Mafalda Leite)

Tuesday, June 12, 2007

sabes...


Não sei que coisa é esta que tem a minha boca que não se cansa de ti.
Que vontades são estas as dos meu lábios que se atiram gulosos para os teus.
Não sei que coisa é esta que tem a minha boca que se ri do teu sorriso, que enterra a língua no teu umbigo e se lambuza na tua orelha.
Que vontades são estas as dos meus lábios de fazerem um reconhecimento do teu corpo em beijos, de se fazerem carmim para a tua pele morena de se entreabrirem para fazerem os teus de reféns.

Saturday, June 09, 2007

- vai subir?



se perguntarem digam que o meu ascensor é de pedra. que só sobe quando eu subo e só desce quando eu desço. o meu ascensor é de pedra e não tem botões. e não, não sou cá de chamar elevador à coisa que eu não me quero elevar. o meu ascensor não tem números, nem portas automáticas, nem daquelas antigas de fole em ferro.o meu ascensor não funciona a electricidade, alimenta-se de outro tipo de energia.o meu ascensor é de pedra e só eu sei o sacrifício que é para que ele me leve a algum lado. se perguntarem digam que o meu ascensor é de pedra.




Friday, June 08, 2007

aurora menina 2º




(...)

porém, antes de me enfiar na tina de água quente que me esperava fui até à cozinha certificar-me de que o assado que tinha preparado antes continuava a apurar ao calor do fogão a lenha. o doce ficava para depois.

despi-me, soltei os cabelos e com a solenidade de um baptismo entrei na água, mergulhei-me nela procurando a alegada purificação.
não sei quanto tempo me deixei ficar mas, quando saí tinha as pontas dos dedos engelhadas e a água estava quase fria.

sequei-me no toalhão de banho e vesti-me devagar, sem pressas, sem marcas, sem vincos, vesti-me para me despires, com calma, com adivinhas e no final com as tuas mãos fortes.

o vestido nunca o tinhas visto. fi-lo para esta ocasião.

espero que gostes.

o corpete é branco, muito simples, aconchega-me o peito confortavelmente, não o queria muito apertado. coloquei os atilhos atrás, enlaçados por uma fita de cetim branco, na frente não tem enfeites, é direito.

na cintura coloquei uma faixa alfazema, muito clarinha. a saia é comprida com um bocadinho de roda, branca como o corpete.
vou usar o velho xaile, sabes?! aquele que nos serviu de encosto quando íamos passear no campo e nos estendíamos na erva alta, quando nos abandonava-mos a inventar novas formas para as nuvens e novas cores para o céu.
funciona como um contador de histórias, não quis que a roupa nova nunca tivesse ouvido falar de nós, podia estranhar-te.

sequei o cabelo. está maior desde a última vez que mo viste, mas continuo sem conseguir fazer nada dele, a menos que seja a ferros, literalmente.
hoje vou deixá-lo como ele quiser estar, mesmo que seja em desalinho, vou só domá-lo um pouquinho para o não deixar fugir para os olhos.

calcei os sapatos de domingo.
têm pouquinho salto, podes continuar a meter-me debaixo do braço se quiseres, embora eu prefira que me tenhas nos braços.

Thursday, June 07, 2007

... mesmo num abraço, às vezes, continuas-me a parecer inalcançável...*
*ou como me escapou um suspiro.

aurora menina 1º




abri as janelas do velho casario de pedra de par em par, a madeira já velha onde encaixa o vidro fosco custou a ceder mas, ao aperceber-se do propósito que a convidava a deixar entrar o ar puro que vinha lá de fora, deixou-se ir.

da varanda, com as mãos sobre a armação de ferro que o tempo e a chuva enferrujaram lembro-me de ter visto a planicie, mais ao longe o monte e nos seu cimo o moinho que já só nos lembra um tempo em que o pão não podia faltar. àquela hora o sol iluminava bem os campos e as poucas árvores que guardavam o terreno olhavam ao longe umas para as outras.

tinha escolhido um bom dia. entrei e abri a velha arca que estava na sala. escolhi os melhores panos, a melhor toalha e estendia-a sobre a mesa. a toalha era velha, mas tinha servido poucas vezes, só em ocasiões muito especiais.

a criada entrou com as flores para as jarras. tulipas. brancas. vermelhas. muitas.

os meus passos agigantavam-se mas, porque ao andar, marcavam um compasso entre o bater do salto e o eco que fazia ao tocar o soalho de madeira amplificado pelas paredes antigas e o tecto elevado.

deixei o nosso quarto para último. precisava de reunir forças, queria demorar-me nele.

comecei por lavar as janelas, sacodir as cortinas e amarrá-las para deixar entrar a luz pelas janelas agora abertas.

escolhi bem o dia, o nosso quarto dá de frente para a encosta, lá ao longe a nora e o velho montado.

fiz a cama de lavado, com os lençóis de branco linho e por cima a colcha com as rosetas, branca, a primeira que fiz, aquela de que mais gostas.

ajeitei os meus vestidos que dentro do armário namoravam os teus fatos.

em cima do tocadouro deixei apenas a minha escova e o gancho de prata com que costumava prender os cabelos.

na cómoda estendi o pano que a tua mãe nos deu e troquei as velas aos castiçais.

lavei o espelho da bacia e coloquei água nova no jarro, sei como gostas de te refrescar antes de dormir.

do salão roubei cinco tulipas brancas. três para mim, duas para ti. ficaram bonitas na mesa de cabeceira.

por fim, ajoelhei-me, lavei e encerei o chão, passei o pano para dar lustro.

no compartimento do lado a criada já tinha preparado o banho, o sol ia alto e já devias estar quase a chegar...

(...)




Tuesday, June 05, 2007

mayday mayday mayday

Hoje despenhou-se um mosquito no meu olhar.