Alcancei-te algum dia?
Toquei-te?
Movi-te de alguma maneira?
Soube respeitar-te, ouvir-te, cuidar-te?
Será que alguma vez li nos teus olhos efectivamente tudo quanto eles me queriam dizer? Ou será que li apenas o que quis ler?
Foram algum dia reflexo dos meus?
Soube o meu abraço manter-te envolvido? Desejado? Protegido?
Soube o meu beijo mostrar-te o quanto te permito? O que te permito em mim?
Poderás algum dia ter uma noção real de tudo quanto pudeste em mim?
Sabes o quanto me alcançaste?
Me tocaste?
Me moveste?
O quanto eu desejei que me soubesses respeitar, ouvir, cuidar?
Será que alguma vez leste nos meus olhos efectivamente tudo quanto eles te queriam dizer?
Ou será que leste simplesmente o que querias ler?
Foram algum dia reflexo nos teus?
Abraça-me, envolve-me, deseja-me, protege-me.
Beija-me e permite-me em ti.
Nunca terei uma noção real do que pude em ti.
Sentada na esplanada do bar, rodando o dedo pelo rebordo do copo de vodka melão, tentava distrair-se com as pessoas que ali estavam. Resolveu acender um cigarro, sempre ajudava. Reparou em como se tinha afastado daquilo tudo e de como era a primeira vez em meses que se dava o prazer de estar assim, sozinha, desfrutando do prazer dum cigarro e de afogar as incertezas numa bebida.
Movi-te de alguma maneira?
Soube respeitar-te, ouvir-te, cuidar-te?
Será que alguma vez li nos teus olhos efectivamente tudo quanto eles me queriam dizer? Ou será que li apenas o que quis ler?
Foram algum dia reflexo dos meus?
Soube o meu abraço manter-te envolvido? Desejado? Protegido?
Soube o meu beijo mostrar-te o quanto te permito? O que te permito em mim?
Poderás algum dia ter uma noção real de tudo quanto pudeste em mim?
Sabes o quanto me alcançaste?
Me tocaste?
Me moveste?
O quanto eu desejei que me soubesses respeitar, ouvir, cuidar?
Será que alguma vez leste nos meus olhos efectivamente tudo quanto eles te queriam dizer?
Ou será que leste simplesmente o que querias ler?
Foram algum dia reflexo nos teus?
Abraça-me, envolve-me, deseja-me, protege-me.
Beija-me e permite-me em ti.
Nunca terei uma noção real do que pude em ti.
Sentada na esplanada do bar, rodando o dedo pelo rebordo do copo de vodka melão, tentava distrair-se com as pessoas que ali estavam. Resolveu acender um cigarro, sempre ajudava. Reparou em como se tinha afastado daquilo tudo e de como era a primeira vez em meses que se dava o prazer de estar assim, sozinha, desfrutando do prazer dum cigarro e de afogar as incertezas numa bebida.
Reparou no homem que estava na mesa da frente. Era bonito. Trocaram olhares e ele sorriu. Há muito tempo que não trocava olhares daqueles com nenhum outro homem. Sentiu-se atrevida, apeteceu-lhe provocar aquele homem do outro lado da mesa, mas não se sentiu capaz.
Aliás, tudo aquilo lhe sabia a falso, como se nada fosse já como tinha sido. A bebida já não servia para afogar coisa nenhuma, o cigarro já não era mais que um mau hábito, o homem do outro lado da mesa era só mais um rosto na multidão de pessoas com quem ela procurava distrair-se.
Levantou-se envergonhada consigo mesma, pensando que era errado querer seduzir o estranho da mesa em frente.
Levantou-se envergonhada consigo mesma, pensando que era errado querer seduzir o estranho da mesa em frente.
Entrou no carro e seguiu até à porta da casa dele, daquele que conhecia tão bem e que às vezes era só mais um estranho como o de há minutos atrás.
Desligou o motor, apagou as luzes e ficou a olhar a sua janela por um bocadinho, a luz estava acesa. Imaginou-o sentado a ler, como gostava tantas vezes de fazer, mesmo quando estavam os dois juntos. Soube que seria só mais uma boa recordação de entre tantas e sentiu-se cair numa nostalgia que a levava de novo a todas as coisas boas que tinham vivido juntos.
Não sabia mais o porquê de se terem deixado. Não tinham havido palavras feias, gestos cruéis, gritos ou choros. Simplesmente tinham-se deixado. Deixado de se falar, deixado de se ver, deixado de encontrar qualquer coisa um no outro.
Olhou de novo para cima e soltou um suspiro, não sabia quando o tornaria a ver, tinha-o deixado, mas ainda sabia exactamente onde o encontrar.
Deu à chave e enquanto percorria a cidade até casa, chegavam-lhe sempre as mesmas perguntas sem resposta…
Alcancei-te algum dia?
Olhou de novo para cima e soltou um suspiro, não sabia quando o tornaria a ver, tinha-o deixado, mas ainda sabia exactamente onde o encontrar.
Deu à chave e enquanto percorria a cidade até casa, chegavam-lhe sempre as mesmas perguntas sem resposta…
Alcancei-te algum dia?

