Monday, November 28, 2005

Just Like Chocolate

You are Milk Chocolate
A total dreamer, you spend most of your time with your head in the clouds.You often think of the future, and you are always working toward your ideal life.Also nostelgic, you rarely forget a meaningful moment... even those from long ago.
What Kind of Chocolate Are You?

Sunday, November 27, 2005

Reflexos ( part II )

(...)
Encontrámo-nos todos os dias dessa semana.

- Mostras-me coisas que eu nunca vi, que sempre estiveram lá e nas quais eu nem reparei. Acabou por dizer, trazendo-me de volta ao mundo das coisas que são.
- Tu também me mostras coisas que eu não vejo, fazes-me pensar a vida doutro modo.

Era tão difícil explicar-lhe aquilo que eu sentia, que me fazia dizer-lhe aquilo.
Antes dele as coisas eram diferentes. Ainda me lembro quando nos conhecemos, antes disso eu sentia-me desencontrada do mundo, das coisas que nos ligam à terra, mas também não estava ligada ao céu, tinha um mundo só meu, preso numa redoma de cristal que não deixava ninguém entrar mas que também não me deixava sair. Ele tinha-me feito descobrir uma saída, um modo de escapar à redoma de vidro, deixando o meu mundo de sonhos intacto para que eu o pudesse visitar sempre que precisasse, mais, com o tempo ele próprio tinha encontrado uma entrada para esse mundo e agora fazia parte dele, ajudava-me a cuidar de todas as coisas bonitas que por lá andavam.

- Eu não sei de nada… não percebo o mundo, não percebo as pessoas, não acredito nelas, por muito que eu queira não sei depositar a minha fé nos homens, nem mesmo no mundo e duvido de qualquer outra força que possa existir. Só sei da força natural das coisas, mas não sei vê-la, não a consigo perceber e perco-me todos os dias um pouco mais. És o único elo palpável, a única ligação que eu não entendo mas que aceito sem pôr à prova.
- Sabes mais do que aquilo que pensas, sabes, mas não queres saber, pensas que estás mais segura assim e enquanto pensares assim vais depender sempre de alguém. Sou o elo até tu perceberes que não te ligo a coisa nenhuma a não ser a mim, é uma ilusão, um dia vais procurar outras coisas, ver outros elos, perceber que aquilo que precisavas de mim já não existe mais, só em ti e então voas para longe.
- Não. Porque o que me liga a ti nem eu sei explicar o que é, não quero que tenhas razão quando dizes que eu só preciso de ti para perceber o mundo duma maneira e que quando souber que maneira é essa te vou largar, é mentira. Ensinaste-me tanto, quando nos conhecemos eu era uma tolinha, andava perdida num mundo de ninguém a dar importância às coisas erradas.
-Tu já sabias essas coisas todas, sabe-las dentro de ti, eu não fiz nada, não te mostrei nada que não tivesses já visto.

Calei-a com a minha resposta. Não voltou ao assunto. O facto de me ter dito tudo aquilo incomodava-me. Não gostava que ela me visse melhor e maior que ela. Eu não era nem sou melhor que ninguém… tantos defeitos… tantos… tanta humanidade.
Não sei se ela percebia a importância que tinha para mim, o quanto significava, o que me tinha ensinado com aquela ingenuidade, toda aquela boa vontade no mundo que ela julgava ser eu a ter.
Ela não sabia, nunca saberia, porque eu nunca seria capaz de lho dizer. Não pelas palavras certas, pelos gestos certos, nunca, nunca estes traduziriam tudo o que ia cá dentro de cada vez que eu percebia em mim a sua força, a sua vitalidade. Adorava cada qualidade e cada defeito, única numa espécie de 6 biliões… sorri para comigo.
Voltei à minha leitura. Ela permanecia calada a olhar o mar.
Quando já me tinha abstraído do que se passava em redor e estava completamente mergulhado no livro, ela voltou a falar:

- Tens ideia da quantidade de gente que teve de morrer e nascer para estarmos aqui hoje? A quantidade de ocorrências, coincidências, decisões que foram necessárias para que hoje pudéssemos estar aqui assim, eu a olhar o mar e tu a ler esse livro?! Já viste como foi preciso que tudo conspirasse a favor?!

Sorri-lhe. Afinal não estava a olhar o mar, estava a olhar a História, a entrelaçar suposições e contos na cabeça. Continuei calado, sabia que aquela era mais uma pergunta que era de ela para ela como tantas outras que lhe saíam pela boca para todos e para ninguém. Perguntas cuja resposta ela queria conseguir sozinha e que só formulava em voz alta para poder dar-lhes outra forma que não a do pensamento.
Fiquei a olhá-la por uns momentos. Ela não via o mar calmo à sua frente, mas o mar agitado dentro dela, eu só sabia de tal facto porque a tempestade batia-lhe nos olhos, parecia preocupada, desiludida com as respostas que eu lhe tinha dado minutos antes, apeteceu-me pegar-lhe nas mãos, envolvê-la num abraço, fazer-lhe sentir que tudo o que tinha sido antes só importava na medida em que nos trazia o agora, o agora que já não o era porque não existe.

Monday, November 21, 2005

um ano

Ena pah! Um ano de blogagem e textos deprimentes.
Parabéns pra mim.

Tuesday, November 15, 2005

Variedades


Variedades dos efeitos do amor.

"Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura:
Tu és doce atractivo, ó formusura,
Que encanta, que seduz, que persuade:
Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n'alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade:
Qual se desanima nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas
Amor ou desfalece ou pára, ou corre,
e, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre. "
Bocage
Ps- Para nós!

Wednesday, November 09, 2005

Reflexos ( part I )

Estávamos os dois na esplanada à beira mar. Estávamos os dois em silêncio.Tu lias, eu desenhava, lembraste?
Olhei o mar, ao fundo via-se um pequeno barco. O sol ia alto e então os meus olhos pousaram-se em ti.
Estavas lindo. Àquela hora o sol batia-te em cheio no lado direito da cara, tinhas o ar de quem estava longe, alheio a tudo num mundo só teu. Perguntei-me se faria parte desse mundo, nesse momento ergueste os olhos do papel e sorriste-me, soube que sim e sorri-te de volta, voltaste à tua leitura e eu voltei ao meu desenho.

Naquele dia estávamos os dois à beira mar. Eu lia enquanto ela desenhava. Estava linda. A brisa do mar batia-lhe nos cabelos revelando-lhe a cara.Gostava de sentir que o seu silêncio não me incomodava, de facto, era reconfortante.
Por momentos senti os seus olhos enormes, curiosos e brilhantes a espreitar-me de cima do livro, irresistivelmente dei comigo a contemplá-los, estava feliz por ela estar comigo. Sorri.

Cheguei ao final do desenho, continuavas a ler. Admirei-te por uns momentos e facilmente dei comigo a pensar em nós. Quando despertei estavas a olhar p’ra mim. Então disse-te:
- Somos tão diferentes, tu e eu.
Continuaste calado por uns momentos.
- Porque dizes isso?
- Tu és tão melhor que eu.
- Não sou melhor que ninguém.

Ela calou-se. Fiquei à espera duma resposta, qualquer coisa que me fizesse entender.

-Somos diferentes.
- Explica.
- Não sei.
- Tenta…

Não sabia como explicá-lo, não de maneira a que ele entendesse. Éramos bastante diferentes. Acima de tudo amava-o por essa diferença, ele tinha o dom de me fazer ver o mundo ao contrário.

- Vês as coisas com outros olhos.

Acabou por dizer. No fundo eu sabia o que ela queria dizer. Eu sabia que tinha havido um momento no início em que as coisas eram realmente diferentes, não por eu ser melhor mas porque ela era apenas uma força em potência.
Lembro-me tão bem do dia em que a conheci. Estava sentada na esplanada a ler um livro, quase como estávamos agora. Em cima da mesa estava um sumo de laranja. Eu tinha-me sentado na mesa oposta a tua, do outro lado da esplanada que àquela hora da manhã estava deserta. Pedi um chá e imaginei o porquê de estares ali, o que estarias a ler, o porquê de te achar irresistível apenas porque lias um livro e bebias um sumo de laranja, apenas porque os teus olhos pareciam brilhar mais e o sorriso com que brindavas o livro parecer iluminar tudo em redor. Eras tão inocente. Mais tarde ou mais cedo deixarias de encontrar prazer num livro, num sumo de laranja ou numa manhã na esplanada. O chá chegou.
Estava a olhar em volta quando levantaste os olhos do livro e olhaste para mim. Sorriste-me. O sorriso mais lindo e mais espontâneo que alguém alguma vez me havia dado. Fiquei sem saber muito bem como reagir, acabei por te dar um sorriso tímido.
Acabaste o teu sumo sem que os nossos olhos se tornassem a encontrar, eu estava escrever, lembro-me que nessa altura escrevia sobre as coisas da vida como elas são, sem sofismas, sem sonhos, sem floreados, escrevia a força bruta do mundo e ainda assim encontrava-lhe beleza.
Escrevia absorto do resto, o teu sorriso era já só uma remota lembrança perdida entre os primeiros parágrafos.
Não te vi levantar, nem pagar o sumo, nem marcares o livro com a dobra do canto da página, nem pegares nas tuas coisas, nem mesmo vi que vinhas ter comigo.
Sentas-te mesmo à minha frente. Olhei surpreendido para ti, Tu estavas a olhar-me com um sorriso e então exclamaste: “ Olá! Chamo-me Maria.”, não estava nada à espera daquilo, “ Oi… João.” “ Estava ali sentada e não consegui deixar de reparar em ti aí a escrever como se mais nada existisse e o mundo fosse acabar amanhã.” “ Nunca se sabe.” sorri-lhe, ela olhou curiosa para os meus papéis “ É sobre o quê?! És escritor? “, se fosse outra pessoa provavelmente ter-me-ia sentido incomodado mas ela serenava-me, divertia-me, era espontânea sem se preocupar muito com aquilo que eu poderia pensar dela.
“ Não sou escritor nenhum” sorri divertido “ Escrevo para mim, sobre nós… é complicado…” “ Hum… Parece interessante, seja o que for que estejas a escrever deve ser sério, estás cinzento. “ e fez uma cara esquisita que me deu vontade de rir “ Não importa…” e fechei o caderno dando por encerrado aquele texto, “ Reparei que estavas a ler, que livro é?” “Ana Karenina, do Tolstoi, já leste?” “Não, ainda não, mas já me falaram nele.” “ Estou a gostar, há uma parte que diz:
‘No tempo infinito, na infinitude da matéria, no espaço infinito forma-se uma bolha, que se mantém por algum tempo, depois rebenta. Essa bolha sou eu!’. ” depois olhou para o relógio e disse “ Tenho de ir, gostei de te conhecer, vemo-nos por aí.” deu-me um beijo e partiu sem me dar tempo sequer para dizer fosse o que fosse.
Encontrámo-nos todos os dias dessa semana.
...

Sunday, November 06, 2005

Tiga =)



adopt your own virtual pet!

That's life!


esta imagem diz-me tanto... "é a vida!..."

Wednesday, November 02, 2005

O silêncio




O silêncio deixa-me ileso, e que importância tem?

Se assim tu vês em mim
alguém melhor que alguém.



Sei que minto
pois o que sinto
não é diferente de ti.
Não cedo. Este segredo é frágil e é meu.


Eu não sei
tanto sobre tanta coisa
que às vezes tenho medo
de dizer aquelas coisas que fazem chorar.

Quem te disse coisas tristes não é igual a mim .

Sim , eu sei que choro ,
mas eu posso
querer diferente para ti .


Eu
não
sei
tanto sobre tanta coisa
que ás vezes tenho medo

de dizer aquelas coisas que fazem chorar .




E não me perguntes nada. Eu não sei dizer ...

Silence 4