Thursday, July 28, 2005

Zero Chance


think i know the answer
i stumbled on and all the world fell down
and all the sky went silent
cracked like glass and slowly
tumbled to the ground
they all say if you look hard
you'll find your way back home
born without a friend
and bound to die alone
I'm thinking of your highness
and crying long upon the loss
i've found
and on the plus and minus
zero chance of ever
turning this around
Why doesn't anyone believe
in loneliness
stand up and everyone will see
your holiness
They say if you look hard
you'll find your way back home
born without a friend
and bound to die alone

Zero Chance - Soungarden

Wednesday, July 27, 2005

Um dia... 24 horas.


Há um dia em que acordas e vês que o tempo passou.

Quem és tu?
Nada.
Ninguém.

Acordas um dia e a tua vida está em branco.
Vazia.
Nada.
Ninguém.
Não tens nada a que possas chamar de só teu.


Falhaste.

A vida falhou-te.
Desejas-te com todas as forças. De que adiantou? Não te calhou nada em sorte.
O tempo passou e tu és nada.
Fazes parte dum mundo em que não passas de um espectro, uma sombra do que foste um dia, um dia em que respirar era fácil, em que respirar não doía.



És nada.

Mas pior que o nada em si é ser um nada antes sido.
Ser um nada que já foi um dia tudo e que quer voltar a ser.
Queres voltar a ser quem eras, mas acordas um dia e não te encontras "ááe o que foi nao volta a ser, mesmo que muito se queira, e querer muito é poder, e o que foi não volta a ser".

Onde fui?
Não sei.
Nada.
Ninguém.

Dás-te conta de que nada faz sentido, falta-te o sonho tornado real.
Falta-te o amor.
Falta-te a esperança.
Falta-te...Não sabes bem o quê e o relógio não pára.
Quem sou?
Nada.
Ninguém.

À medida que os ponteiros avançam, queres descobrir-te, já não queres ser nada.
Está na hora.
Mas custa tanto.
Queres ser alguém e não consegues.
Procuras uma mão.
Nada.
Ninguém.

De repente páras.Olhas em redor. Mas como? Será que ninguém ouve? Será que ninguém vê?
Nada.
Ninguém.



Dás volta ao que trazes contigo:
sonhos desfeitos;
lágrimas gastas;
gritos surdos;
recordações usadas...

Perguntaste: Onde estão?
os risos;
as alegrias;
os sonhos;
a esperança;
a força;
a fé...

Dás-te conta que as perdeste, não as trazes já contigo. Arrancaram-tas ao longo do caminho.


Não há mais nada.

O tempo passa e não sabes o que fazer de ti... talvez fechar os olhos, desistir.
De que vale uma vida que é um lamento?
De que vale uma vida sem significado, vazia?
Não são essas as vidas que caíem no esquecimento?
Acordas um dia e nada, nada parece ter mudado e o relógio continua a andar.
Desejas que ele pare. Que a vida pare. Porque sabes, que enquanto o relógio anda tu não consegues apanhar o que sobra de ti. O tempo esgota-se e tu não te achas.

Um dia acordas e há um colete de forças que te prende os braços. E onde estão as mãos que te enxugam os olhos? Presas, inúteis, dormentes atrás das costas.
Esse colete de forças é o colete que te deixa louca, que te prende os sonhos, que toma como refém a esperança de que é possível mudar.
Quantas vezes já te tentaste libertar? Caíram no esquecimento os momentos em que achaste ser possível quebrar as fivelas, soltar as amarras.
Acordaste um dia e deste conta que te tinham vestido um colete de forças, devagar, sem veres e quando deste por ti eras nada, eras ninguém.


Um dia acordas e queres trincar a vida, morder a esperança, beijar a felicidade, não consegues e descobres uma mordaça.
Como? Como foi que acabaste assim?
Não sabes.
Um dia acordas, queres gritar-te ao mundo e não és capaz, estás amoradaçada. O grito, ninguém o ouve, a mordaça ninguém ta tira. É tarde e o tempo não pára.
Um dia acordas, estás amordaçada, vestes um colete de forças, queres fugir, encontrar uma saída então olhas em redor e descobres um labirinto de gente e mentiras que te cerca. Queres encontrar uma saída mas perdes-te nos outros, há alguém que te engana, que te trai, que te conduz pelo caminho errado... mais um... vês que não há saída.
Queres saber quem és...
O tempo passa...
Nada...
Ninguém...

O relógio deu uma volta completa. Marcou todas as horas, minutos e segundos, avançou imparável mesmo quando desejaste que ele parasse por um só instante.
O relógio deu uma volta completa.
Não sabes quem és.
Não há sonhos.
Não há esperança.
Não há nada.
Não há ninguém.



Acabou.
Dás-te conta do fim.
Acabou e tu és nada.
És ninguém.
Respiras de alívio.
Um dia não acordas.
Acabou.

Tico e Teco _ parte I

-Está escuro aqui.
-Onde estás?
-Aqui!
-Onde?
-Aqui!
-Ah..Está escuro aqui.
-É.
-Porquê?
-Ela está triste.
-Porquê?
-Sente que se apagou uma luz.
-E apagou.
-É.
-Que voz é esta?
é esta?
-Que voz?
voz?
-Esta.
ta.
-Ah!!
Ah!!
É o eco.
eco.
-O eco?
eco?
-Sim.
im.
-Porquê?
quê?
-Está vazia.
vazia.
Sente-se só.
só.
-Porquê?
quê?
-Deixaram-na sozinha.
sozinha.
-Mas e os risos?
risos?
-Eram dos outros.
outros.
-Ah...
Ah...
Também sentes?
-O quê?
-O frio.
-Ah, o frio. Sinto.
-Está frio aqui.

-Porquê?
-É da humidade.
-Humidade?
-Sim.
-Olha! Está a correr água.
-É... água salgada.
-Ajuda-me!! Está a chegar-me aos joelhos.
-É.
-Socorro!!!Não sei nadar!!
-Nem eu.
-Socorro!!!
-Olha, está a baixar.
-Ufa! Esta água salgada, de onde vinha?
-Dos olhos.
-Dos olhos?
-É.
-Porquê?
-Porque o coração está triste.
-Ah! E quando o coração está triste ela inunda-se de água salgada?

-E porque é que o coração está triste?
-Porque está escuro.
-Escuro porque ela está triste?
-Sim.
-Ah... e mais?
-E porque ouve um eco.
-Porque ela se sente sozinha?
-Sim.
-Ah! Vai ser sempre assim?
-Não sei.
-Não sabes?!?!?!?!
-Não.
-Hmmm... Lembraste de ontem?
-Não.
-Ontem também foi assim.
-Foi?!?!
-Foi. Tenho quase a certeza. Eu estava aqui sossegado quando de repente acordei aflito com a água pelos joelhos... quase que me afogava.
-Ah.
-Perguntei-te o mesmo de hoje.
-Então porque estás a perguntar hoje de novo?
-Não sei, acho que estava á espera de outras respostas, outras razões, mas foi igual.
-Foi?
-Foi.
-Ah..
-Olha e se fossemos dar uma volta? Estou farto de estar aqui!
-Uma volta? Onde? Nesta escuridão?
-Não tens praí uma luz qualquer?
-Não. A última esperança fundiu-se.
-Ah pois foi.
-Pois foi.
-Então... Vamos às apalpadelas.
-Às apalpadelas? Não! Isso não ia dar resultado.
-Porquê?
-Por causa do medo.
-Do medo? Que medo?
-O medo de ser feliz.
-Ah!...Esse medo, pois é. E nós não vencemos esse medo?
-Sim, acho que esse vencíamos, mas... o outro... o outro é ainda maior.
-Outro?!?!
-Sim.
-Ai!!! Estou com medo!!! Que outro??
-O medo de sofrer!
-Ah! Já ouvi falar... Disseram-me que magoa.
-Então secalhar o melhor é ficarmos aqui. Talvez amanhã...
-Talvez...

Monday, July 25, 2005

like... shit

Utopia


Disseram-me um dia que o homem não pode ter mais do que aquilo que lhe é dado. Que acima da vontade dum homem, existe a vontade de um mundo, gerido por outros homens, homens a quem os sonhos pouco interessam e que continuam sempre a querer mais, mais poder, mais força.Esses homens são poucos, mas fazem a diferença, num mundo em que ninguém ergue a cabeça para lutar seja pelo que for, por um mundo em que nos amarram às leis de ninguém, às ideias fechadas de quem não sonha, de quem quer controlar o homem, os homens.

Essa voz que me falava vinha de cima, era uma voz cava e funda, autoritária, ouvi-a por muitos anos, acreditei-a.

Certa vez em que seguia esquecida do sonho, nesses caminhos de ninguém, ouvi outra voz. Esta voz dizia-me que olhasse para cima. A medo olhei. Descobri a lua. Era linda. Estava cheia, redonda, iluminava um céu negro e do qual eu não via o fim.Essa voz disse-me que podia ser minha. Disse-me também que a voz que eu outrora ouvira mentia, que o homem é feito da mesma matéria com que se entrelaçam os sonhos e que não há nenhum homem que seja o único detentor de razão. Disse-me que podia lutar para conseguir a lua, que podia querer mais do que aquilo que me era dado, que me era imposto, eu podia ser mais do que aquilo que de mim faziam, eu podia ser livre.

Essa voz não vinha de cima.
Essa voz não vinha de baixo.
Essa voz vinha dum lugar distante, dum lugar em que todos somos iguais, dum lugar em que os sonhos vivem submersos mas têm espaço para viver.

Essa voz era igual à minha, mas era livre porque sonhava, era livre porque me ensinava coisas novas, me abria mundos e ideias, era livre porque acreditava além do que aquilo que lhe era dado.
Então compreendi, que todas as noites a lua estava no céu, que eu podia sempre estender a mão, não a alcançar, mas que era de meu direito quere-la, desejá-la e fazê-la minha, nem que fosse no instante em que estendia o braço e tentava apanhá-la.A lua nem sempre se via, havia noites em que desaparecia, outros em que crescia, noutros diminuia, noutros ainda aparecia cheia a lembrar-me do sonho, mas eu sabia-a sempre lá a alimentar-me... o sonho.
O dia nascia, eu não tinha conseguido fazer a lua minha, mas eu sabia, que outra noite havia de vir, que a cada dia que passava a luta era maior, e derepente deixei de ouvir a voz que vinha de cima, deixei de fechar os olhos quando o sol brilhava, esperava a noite, a lua, outro dia, uma nova Utopia.