A folha estava em branco.
Não havia nada que lhe apetecesse realmente dizer.
Nada a partilhar com o resto do mundo.
A folha estava em branco e a inspiração devia ter ficado por detrás do muro de celulose que tinha frente e verso, mas que não rimava.
Talvez houvesse dias em que todas as emoções lhe afloravam aos dígitos e ela ultrapassava esse muro e passava para o lado de lá da malha de fibras a que chamava papel. Talvez houvesse dias em que ela era uma malha de fibras a que chamava Ana (ou a que chamavam) e no entanto, essa malha de fibras revelava-se assim, em branco, tal qual folha de papel, por preencher, ainda há espera de transpor um muro de ideias feitas, palavras batidas, sonhos mastigados e jogados fora, pessoas cinzentas que andavam tão perdidas quanto ela pelas entrelinhas de um grande livro.
Talvez houvesse dias em que tinha histórias para contar, dessas, para crianças, de Era uma vez e viveram felizes para sempre, dias em que talvez fosse possível esticar o feliz para sempre em vez de ser feliz num era uma vez. Noutros teria, certamente, contos do fantástico desses que nos deixam a pensar em coisas que nos podiam acontecer, mas que (in)felizmente acontecem sempre aos outros.
Talvez houvesse dias em que procurasse o verdadeiro sentido das palavras em si e, de balança e régua, pesasse e medisse, com a precisão de um alquimista procurando transformar pedra em ouro, a melhor maneira de tentar transformar as suas palavras em poesia.
Talvez houvesse dias em que todos os seus sentidos estivessem despertos e sentissem tudo de todas as maneiras, qual Caeiro, e as coisas simples andassem à solta, apaixonando os olhos dos mais atentos, dos que dão o sentido aos sentidos que se escrevem num pedaço de papel.
Talvez houvesse dias em que sentada em frente duma folha vazia lhe quisesse dar alma, corpo, um lugar e um espaço, uma razão de ser.
Porém, dias havia em que não lhe saía nada. A cabeça era um marulhar de ideias e no papel não havia uma só letra, um só risco ou ponto. Nesses dias não havia nada a dar ao mundo, não havia partilha ou palavra certa e a folha ficava em branco à espera dos dias de talvez.
Não havia nada que lhe apetecesse realmente dizer.
Nada a partilhar com o resto do mundo.
A folha estava em branco e a inspiração devia ter ficado por detrás do muro de celulose que tinha frente e verso, mas que não rimava.
Talvez houvesse dias em que todas as emoções lhe afloravam aos dígitos e ela ultrapassava esse muro e passava para o lado de lá da malha de fibras a que chamava papel. Talvez houvesse dias em que ela era uma malha de fibras a que chamava Ana (ou a que chamavam) e no entanto, essa malha de fibras revelava-se assim, em branco, tal qual folha de papel, por preencher, ainda há espera de transpor um muro de ideias feitas, palavras batidas, sonhos mastigados e jogados fora, pessoas cinzentas que andavam tão perdidas quanto ela pelas entrelinhas de um grande livro.
Talvez houvesse dias em que tinha histórias para contar, dessas, para crianças, de Era uma vez e viveram felizes para sempre, dias em que talvez fosse possível esticar o feliz para sempre em vez de ser feliz num era uma vez. Noutros teria, certamente, contos do fantástico desses que nos deixam a pensar em coisas que nos podiam acontecer, mas que (in)felizmente acontecem sempre aos outros.
Talvez houvesse dias em que procurasse o verdadeiro sentido das palavras em si e, de balança e régua, pesasse e medisse, com a precisão de um alquimista procurando transformar pedra em ouro, a melhor maneira de tentar transformar as suas palavras em poesia.
Talvez houvesse dias em que todos os seus sentidos estivessem despertos e sentissem tudo de todas as maneiras, qual Caeiro, e as coisas simples andassem à solta, apaixonando os olhos dos mais atentos, dos que dão o sentido aos sentidos que se escrevem num pedaço de papel.
Talvez houvesse dias em que sentada em frente duma folha vazia lhe quisesse dar alma, corpo, um lugar e um espaço, uma razão de ser.
Porém, dias havia em que não lhe saía nada. A cabeça era um marulhar de ideias e no papel não havia uma só letra, um só risco ou ponto. Nesses dias não havia nada a dar ao mundo, não havia partilha ou palavra certa e a folha ficava em branco à espera dos dias de talvez.

