Sunday, March 13, 2005

Sempre a mesma vida agarrada ao mesmo sempre.

Às vezes sento-me aqui e fico à espera.
De quê?!
Nem eu sei, mas espero, espero...
Por quem?
Não sei.
Espero até me sentir irrequieta, até começar a pensar que nada faz sentido, aqui plo menos.. aqui, enquanto espero.
A verdade, é que "Aqui" é muitos sítios e acaba por não ser sítio nenhum. Começo a achar que o "aqui" é um lugarzinho pequenino, algures na minha cabeça onde me sento e espero.. espero.. e se perguntarem por mim, lá estarei. Mas ninguém pergunta...
Enquanto espero ( e nunca tive muita paciência) entretenho-me em "ses" e em "porques" e vai passando o tempo. "Ses" que constroíem e destroíem uma realidade por mim inventada, "porques" que justificam "porquês" sem resposta, mais um minuto, mais uma hora e eu espero.
Às vezes também me farto, olho o vazio e começo a levantar-me devagarinho, como se aquela espera fosse em vão, mas quando vou para dar o primeiro passo, aquele vazio enche-se de qualquer coisa que nem eu sei bem o que é.. talvez esperança.
Olho novamante as paredes nuas daquele lugar pequenino em que me encontro, olho-as como se fosse a primeira vez e construo coisas novas, sonhos novos, personagens novos, novas histórias e novos finais, mais "ses" e mais "porques" até adormecer de cansaço, de tanto sonhar, de tanto esperar.
Quando acordo lá estou de novo, à espera... de volta à mesma angústia de esperar o desconhecido, de me perguntar se ele não veio já enquanto eu dormia e se, sem eu dar conta, não se escapou.
De me perguntar se não espero algo que já chegou, algo que se confunde com o vazio e que eu não vejo mas que está lá, que está lá e me ajuda a encher o vazio de sonhos, risos, personagens e "ses" e "porques" ...
Não.
Se tivesse chegado enquanto dormia ter-me-ia soprado em sonhos a sua doce presença, tinha-me acordado ao de leve com um beijo e tinha-me brindado com um sorriso mal eu abrisse os olhos.
Se tivesse chegado não se camuflava nos sonhos das paredes, agora vazias, não se ocultava nas sombras do cansaço, cada vez maior.
Se tivesse chegado, já... não me deixava à espera, não me deixava no cansaço do mesmo "aqui" a que já me habituei.
Assim, sei que ainda não chegou, nem mesmo enquanto dormia, nem mesmo enquanto sonhava, nem mesmo enquanto sentada me limitava a esperar.
.
.
.
Espero... espero.. espero e a cadeira em que me sento já me conhece de cor.


4 comments:

Ponto Negro said...

gostei.
tv por já ter visto essa cadeira em qql lado

"Stay tuned"

BF

M. said...

Espero que nunca te tenhas sentado nela, sinceramente.

Obrigada, tough.

Ponto Negro said...

"after the rain comes sun, after the sun comes rain again"

c'est la vie
BF

Ponto Negro said...

A propósito de "c'est la vie",
A vida é mais simples em Cestlavie (http://quartoprascinco.blogspot.com/)

JB