- Ainda ‘tás acordado?
- Ãahhn?!
- Se ainda ‘tás acordado?
- Não!
- Oh! ‘Tás-me a responder.
- Deixa-me.
- Deixo porquê?! Acorda!!!
- Quero dormir!
- Não dormiste já o bastante?
- Não!
- Anda lá… Acorda!
- Não! Não quero! Estou farto disto.
- Disto o quê?!
- Disto. Da escuridão, do vazio, deste silêncio, deste eco infernal, de acordar com as peúgas ensopadas, de ouvir risos e nunca me rir…
- Está bem, está bem.
- Mas, diz lá, o que é que tu queres?
- Oh… Agora não digo.
- Não te armes em parvo. Eu é que estou chateado, eu é que ‘tava a dormir, o que é que querias afinal?!
- Oh…
- Vamos, agora não consigo dormir.
- Está bem.
…
- Então?! Agora calaste-te?!
- Shh! Olha para cima.
- O que é?
- Estás a olhar?
- Estou, não vejo nada!
- Repara bem.
- Tu estás é a gozar comigo e eu a ver…
- Shhh!!! A sério, repara bem.
- Ahhh!!! Estou a ver!!! Brilha!
-Também os vês?!
- Sim, são pequenos brilhantes.
- O que será?!
- Não sei.
- Vamos ver?!
- Não… e o medo?!
- Oh, vamos lá.
- É tão bonito…
- Mais uma razão… vamos lá!
- Não!
- Vamos!!!
- Ei!!! Larga-me!!! Como queres trepar até ali?!?
- Não sei. Anda vamos!
- Isto não vai correr nada bem.
- Vai sim, cala-te!
- Olha, vem aí um desejo.
- Onde?!?
- Ali, não ouves?
- Não.
- Shh! Vamos apanhá-lo.
- Mas… que… wooow!!!!
- Estamos a subir!!! Estamos a subir!!!
- É… e sabes o que dizem… quanto mais alto se está, maior é a queda.
- Não estás feliz?! Vamos a subir, em direcção aos brilhantes.
- Eu não. Tenho medo, os desejos não são nada seguros.
- São sim.
- Não, não são!
- Então, e não estás feliz?!
- Não! Está escuro, estou a subir em direcção a alguma coisa que brilha e que não sei o que é, tenho uns medos à solta e este desejo… quer-me parecer que vai em excesso de velocidade.
- Os desejos são mesmo assim, às vezes nascem das vontades repentinas e são rápidos, outros nascem do tédio, da mesmice… outros ainda nascem dos sonhos, do querer ser… Tivemos sorte, onde quer que tenha nascido este desejo é dos rápidos!
- Rápido e cheio de solavancos, parece que não sabe para onde vai.
- Blée! És um chato, sempre cheio de racionalizaçõezinhas, cheio de coisinhas, “ ai porque não isto, porque não aquilo, agora tenho as meias molhadas não posso andar, agora tá escuro, agora tenho luz…”. Bah! Nem sei porque é que ainda te trago comigo.
- Olhe meu menino, fique sabendo que eu, ao contrário de outros que por aí andam, nasci junto da razão.
- Que outros?! Eu é?! Tas a falar de mim?!
- Se a carapuça te serve…
- Vá… diz lá!
- Sim tu, tu és um louco, eu é que não sei porque é que ainda ando atrás de ti, ando sempre a tentar cuidar de ti, proteger-te e tu sempre a meter-me em sarilhos, sempre contra mim. És um louco! Já dizia o outro “ Quem sai aos seus não degenera.” , assim és tu, não negas as origens.
- Pah, chama-me o que tu quiseres, não nego as origens não, nasci junto ao coração e depois?! Sou tanto como tu!
- Ahhh!!! Olha a luz!!!
- Está-se a aproximar cada vez mais, ‘tamos quase!
- Ai meu Deus!!!
- Aos três saltamos.
- O quê?!
- Um…
- O que disseste?!?
- Dois…
- Não oiço nada, estamos a ir muito depressa!!!
- Três!!! Salta!!!
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3 comments:
diálogo interessante e divertido..tens uma maneira de escrever diferente, dinamica...gostei :)
eu tb gostei :D
eu tb...
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