Análise
Tão abstracta é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
Fernando Pessoa, 12 1911
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4 comments:
Bonito... =)
A poesia, na minha opinião é a forma de expressão que se aproxima mais dos sentimentos. Pode não ser clara, mas também é assim o que sentimos...
beijinho*
Tudo bem, tá bonito e tal...mas e então posts da sua autoria, não? P'ra quando o privilégio de me voltar a regojizar com um original Mariana Andrade, hein? Beijo =P
Olá! :)
Fernando Pessoa, esse grande senhor da literatura, que me chegou a fazer a cabeça em água.. Contudo, boa escolha de poema.. e sim, queremos posts de tua autoria ;) beijinho* go on!
Simples mas lindo! Gostei do teu espaço. Bjnhs
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