Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor — Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora Porque ainda o sou.
Alberto Caeiro.

1 comment:
Alberto Caeiro - O Mestre...
Estou agora a aprender a gostar de Pessoa e os seus heterónimos..Ninguem lhe pode tirar a genialidade (nem a loucura!)
A força que o amor tem é inimaginável...é nas coisas simples, como a Natureza, um por do sol, uma brisa, o sol, a chuva...é na simplicidade do mágico e quotidiano que aprendemos a ver a beleza, mas sempre com o amor...Afinal, que somos nós sem amor?
Este poema de Alberto Caeiro não podia vir em melhor altura ;)
Um beijinho*
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