Friday, May 18, 2007


beija-me.

beija-me agora que o mundo parou, que voltámos ao reino que juntos criámos um dia, por acaso, quase sem querer, sem ver o que nos esperava lá à frente.

diz-me o que encontraste, o que é que os teus olhos viram e o vento te contou, assim, baixinho, como uma brisa para ouvidos, feita expressamente para levar as palavras doces e calmas.

foi só um instante?! foi um brilho?! foi um riso!? quais foram as coisas que te conquistaram e te fizeram querer o mundo?! voar alto?! ser.

beija-me.

beija-me agora que são só cores as coisas que nos envolvem, que há o silêncio e somos só nós num abraço.

desaparecemos no tempo, no espaço, no lugar onde as coisas são só porque sim, porque alguém lhes disse que assim é que tinha de ser, porque alguém nomeou as coisas e elas se deixaram ficar assim... mas há ainda tanto por inventar.

desaparecemos e aparecemos melhor em nós, dentro de nós, para nós e não sei, mas creio que seja essa a magia que dá vida a esta ausência de sentido de sentir o mundo como ele é só porque sim, e se expande e cria a presença de sentir todas as coisas de cor e luz e brilho e riso e festa que se dá quando nos visitamos.

visita-me.

visita-me onde as ideias se criam, onde as palavras são só o que significam, onde elas se alinham e se multiplicam em sentidos. visita-me lá, onde a imaginação anda a correr à solta e a voar bem alto sempre que lhe apetece, onde não precisa de esperar pela razão.

visita-me também na razão, é engraçada, juro, faz lembrar uma fábrica, de rodas dentadas e engrenagens bem oleadas, uma linha de montagem em que a matéria prima dos sonhos que sou eu, se processam, se misturam, e acabam por sair do outro lado, produto já feito, uma desculpa engraçada para mostrar ao mundo que só se interessa por produtos acabados.

anda, tira os sapatos, põe-te confortável e descobre onde os meus vôos me levam, que as penas das minhas asas te façam cócegas e te rias sempre muito, alto, por gosto, porque, sabes, eu gosto de encher a minha casa de risos, mesmo que não sejam os meus, basta-me que sejam sinceros.

sabe-me. mas sem ser de cor. gosto do ar de surpresa e da euforia de descobrir coisas novas, de ser surpreendido... positivamente. mas atenção, espera de mim tudo... não sou diferente dos outros.

guarda-me. por agora. agora que o mundo parou e que estamos aqui só nós na casa um do outro. e beija-me, porque não sei quando te torno a visitar.




3 comments:

Anonymous said...

nota-se que voltaste ao teu reino, onde estás sempre tão bem...sabe tão bem a simplicidade da explicação que dás da razão, e o contentamento que demonstras na sua descrição.

gostei, gosto muito

***

Ana Margarida Cinza said...

ah...a inspiração voltou-te...e que bem que veio!...

É tão bom sentirmos o beijo, a visita, o simples acto de nos saberem, mas não demasiadamente...Era bom que nos contentássemos com o simples "porque sim", mas infelizmente...Enfim...para pensar sobre isso "iamos dar uma granda volta"...

gostei deste regresso..mas oh menina, meta lá aí uma musiquinha, porque os seus textos lidos com uma musiquinha são ulahlah!!

beijinho e...welcome back :P *

Anonymous said...

visitar-te-ei, hj amanha e sempre que kizers...
beijar-te-ei sempre ke pedires!