Monday, December 17, 2007



Elevas-me a um estado de sonhos, assim, sem mais.
Chegas até mim, alcanças-me, tocas-me através de um sorriso, de um olhar, mas sobretudo desses ideais que soltas cá para fora quando ninguém está a ver… na verdade, acho que ninguém quer realmente ver. Às vezes, até eu tenho dificuldades em perceber porque reparei, porque quero ver.
Se consegui ou não, não sei.
Penso que nunca conseguimos realmente ver nada. Quem somos tolda-nos sempre a visão. Ainda assim, há imagens que nos surpreendem e se num instante nos prendem, no momento seguinte, libertam-nos, alargam-nos os horizontes.
É incrível a influência que exercemos no mundo pelo simples facto de sermos qualquer coisa.
A posição que eu assumo em relação ao mundo e aos outros limita indiscutivelmente a minha realidade e ainda assim, não posso afirmar com propriedade em que consiste o real.
Talvez seja mais certo dizer que afecta o meu real e o meu irreal. E se o irreal existe, por contraponto ao que é real, então talvez as barreiras se esbatam e eu esteja apenas a falar de qualquer coisa abstracta que acaba por ser una em si mesma. E se falo de tudo, talvez acabe por falar de nada.
No entanto, se entrar pelo caminho da multiplicidade, da variedade, talvez possa considerar realidades, das quais me aproprio por relação às diferentes situações em que me coloco e pelas diferentes relações que mantenho com diversos sujeitos, partindo do princípio que cada um destes mesmos sujeitos vive uma realidade própria ou múltiplas realidades pela sua condição social.
E que crédito tem uma realidade em detrimento da outra?! O que é que as valida?
O que é socialmente aceitável? O que é comum? O que é palpável? O que é perceptível sensorialmente?
Até que ponto e com que legitimidade uma realidade se sobrepõe a outra? Fundamenta-as a realidade e/ou a essência? E não é o real tido, muitas das vezes, como o que é verdadeiro?
O meu palpite é que não pode haver uma comprovação do real, porque no fundo, o real acaba por ser exactamente o que dele fazemos. Talvez alguns afirmem que o real é, sobretudo o que é um conhecimento de facto comprovado por um número plural.
O real é todas as coisas e coisa nenhuma. O real é, sobretudo, o indivíduo.

2 comments:

Abraxas said...

e sendo o real, sobretudo, o indivíduo, será que as coisas acontecem além de nós? será que existem além de nós?
Somos todos um Mundo não?
Acho difícil conciliar estas galáxias todas diariamente, o que um preza, o que o outro despreza, o que um vê como futuro, o outro vê como perda de tempo. Se cada um controlasse apenas o seu Mundo, seria melhor? Também nos esquecemos por vezes que o nosso Mundo não é mais que uma consciência e que não tá assim tão longe do resto da Natureza que age em uníssono, uma consciência plural mas única. Será que a resposta está aí? No porquê da origem da Vida? da Existência?
Dei um nó no cérebro, Olá! Gostei do teu blog!

Ana Margarida Cinza said...

um filosofar tão real, que se torna subjectivo ao ser lido e interpretado...

para que serve o irreal se não podemos viver nele?

para que serve o real, se só somos uma ínfima parte dele?

ah..tantas interrogações que tenho realmente!!!

bom texto...

o tempo escasseia, pela realidade q me envolve, mas gosto sempre de voltar aqui e ler-te!

beijo e boas festas :D