Sunday, February 24, 2008

Há um adeus que se desprendeu da ponta da vontade de ficar…

Que nem é bem adeus porque não parte
Porque não é divino…
Não que seja pagão…
É adeus…
adeus que não te afastas,
adeus que não te vais,
adeus que ficas,
permaneces,
que te fixas
e entranhas,
que te consomes
e consomes quem com a mão aberta a abanar
de um lado
para o outro,
com aquele sorriso palerma das saudades que ainda não são
mas que já se adivinham,
o mesmo sorriso palerma do
“que foi tão bom que tivessem vindo, adeus, adeus, voltem sempre!!!”,
e a mão vai abanando num gesto que quer dizer adeus,
mas que não diz coisa nenhuma.

Adeus que eu vou-me embora, mesmo que não dê um único passo.
Adeus que já se faz tarde e a estrada é longa.
Adeus, adeus e até à próxima!

Este adeus é mentiroso
Este adeus é
Até já.

2 comments:

Alexx M. said...

Há alguns adeus definitivos.... outros há que significam dias, horas até minutos... adeus que significam regressos e não partidas, adeus que saem mecanicamente de lábios que se abrem mas que depressa se desfazem no calor dos abraços e beijos do retorno!
Gosto desses adeus mentirosos, ao contrário dos adeus a sério, aqueles que significam mesmo "para sempre". Desses, não gosto mesmo nada...

orson said...

Com que chave se abre uma porta e se fecha outra? não sei ... sei que (a)deus o que é perene e a nós não diga - vou! irei? e vamos sempre no hábito e no corpo, de resto sobrevêm o nunca mais dos nossos fins. Até ... não voltar mais.