-Está escuro aqui.
-Onde estás?
-Aqui!
-Onde?
-Aqui!
-Ah..Está escuro aqui.
-É.
-Porquê?
-Ela está triste.
-Porquê?
-Sente que se apagou uma luz.
-E apagou.
-É.
-Que voz é esta?
é esta?
-Que voz?
voz?
-Esta.
ta.
-Ah!!
Ah!!
É o eco.
eco.
-O eco?
eco?
-Sim.
im.
-Porquê?
quê?
-Está vazia.
vazia.
Sente-se só.
só.
-Porquê?
quê?
-Deixaram-na sozinha.
sozinha.
-Mas e os risos?
risos?
-Eram dos outros.
outros.
-Ah...
Ah...
Também sentes?
-O quê?
-O frio.
-Ah, o frio. Sinto.
-Está frio aqui.
-É
-Porquê?
-É da humidade.
-Humidade?
-Sim.
-Olha! Está a correr água.
-É... água salgada.
-Ajuda-me!! Está a chegar-me aos joelhos.
-É.
-Socorro!!!Não sei nadar!!
-Nem eu.
-Socorro!!!
-Olha, está a baixar.
-Ufa! Esta água salgada, de onde vinha?
-Dos olhos.
-Dos olhos?
-É.
-Porquê?
-Porque o coração está triste.
-Ah! E quando o coração está triste ela inunda-se de água salgada?
-É
-E porque é que o coração está triste?
-Porque está escuro.
-Escuro porque ela está triste?
-Sim.
-Ah... e mais?
-E porque ouve um eco.
-Porque ela se sente sozinha?
-Sim.
-Ah! Vai ser sempre assim?
-Não sei.
-Não sabes?!?!?!?!
-Não.
-Hmmm... Lembraste de ontem?
-Não.
-Ontem também foi assim.
-Foi?!?!
-Foi. Tenho quase a certeza. Eu estava aqui sossegado quando de repente acordei aflito com a água pelos joelhos... quase que me afogava.
-Ah.
-Perguntei-te o mesmo de hoje.
-Então porque estás a perguntar hoje de novo?
-Não sei, acho que estava á espera de outras respostas, outras razões, mas foi igual.
-Foi?
-Foi.
-Ah..
-Olha e se fossemos dar uma volta? Estou farto de estar aqui!
-Uma volta? Onde? Nesta escuridão?
-Não tens praí uma luz qualquer?
-Não. A última esperança fundiu-se.
-Ah pois foi.
-Pois foi.
-Então... Vamos às apalpadelas.
-Às apalpadelas? Não! Isso não ia dar resultado.
-Porquê?
-Por causa do medo.
-Do medo? Que medo?
-O medo de ser feliz.
-Ah!...Esse medo, pois é. E nós não vencemos esse medo?
-Sim, acho que esse vencíamos, mas... o outro... o outro é ainda maior.
-Outro?!?!
-Sim.
-Ai!!! Estou com medo!!! Que outro??
-O medo de sofrer!
-Ah! Já ouvi falar... Disseram-me que magoa.
-Então secalhar o melhor é ficarmos aqui. Talvez amanhã...
-Talvez...
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3 comments:
Bem...Acho que ficou excelente minha piaxão ou paixão como preferires. Tão depressa me ri com ele, como de repente sentia uma tristeza recente. Pois também me encontro vazia, sem saber se hei-de alimentar mais esperanças. Pois o medo também mora cá dentro...esse medo de sofrer. Que quando é assumido se transforma em lágrimas. Mas sei que tenho uma cadeira, num café qualquer, ocupada pelo reconforto que me anima, me deixa feliz e que me faz acreditar em tudo de novo. Que me mostra como é bom viver. E eu só quero que saibas que também podemos sempre trocar de papeis...Eu também poso ocupar a cadeira de um lugar qualquer, para te reconfortar, alimentar esperanças, secar mares salgados, e preencher o vazio que aí vai.
Bejus mt gds.
Ti gosto munto!
Nana**
não amiga, tu ocupas um sofázão.. daqueles de canto =))) obrigada.
bejus, tadorote dji montão!
Epá...brilhante.
Eu sempre gostei do tico e do teco.
Tens uns "esquilos" competentes, e os meus parabéns à forma como misturaste a comédia com a tragédia.
Está a parecer-me que a brincar a brincar, e andas a dar sinais de vida.
*
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