(...)
porém, antes de me enfiar na tina de água quente que me esperava fui até à cozinha certificar-me de que o assado que tinha preparado antes continuava a apurar ao calor do fogão a lenha. o doce ficava para depois.
despi-me, soltei os cabelos e com a solenidade de um baptismo entrei na água, mergulhei-me nela procurando a alegada purificação.
despi-me, soltei os cabelos e com a solenidade de um baptismo entrei na água, mergulhei-me nela procurando a alegada purificação.
não sei quanto tempo me deixei ficar mas, quando saí tinha as pontas dos dedos engelhadas e a água estava quase fria.
sequei-me no toalhão de banho e vesti-me devagar, sem pressas, sem marcas, sem vincos, vesti-me para me despires, com calma, com adivinhas e no final com as tuas mãos fortes.
o vestido nunca o tinhas visto. fi-lo para esta ocasião.
espero que gostes.
o corpete é branco, muito simples, aconchega-me o peito confortavelmente, não o queria muito apertado. coloquei os atilhos atrás, enlaçados por uma fita de cetim branco, na frente não tem enfeites, é direito.
na cintura coloquei uma faixa alfazema, muito clarinha. a saia é comprida com um bocadinho de roda, branca como o corpete.
vou usar o velho xaile, sabes?! aquele que nos serviu de encosto quando íamos passear no campo e nos estendíamos na erva alta, quando nos abandonava-mos a inventar novas formas para as nuvens e novas cores para o céu.
funciona como um contador de histórias, não quis que a roupa nova nunca tivesse ouvido falar de nós, podia estranhar-te.
sequei o cabelo. está maior desde a última vez que mo viste, mas continuo sem conseguir fazer nada dele, a menos que seja a ferros, literalmente.
sequei o cabelo. está maior desde a última vez que mo viste, mas continuo sem conseguir fazer nada dele, a menos que seja a ferros, literalmente.
hoje vou deixá-lo como ele quiser estar, mesmo que seja em desalinho, vou só domá-lo um pouquinho para o não deixar fugir para os olhos.
calcei os sapatos de domingo.
calcei os sapatos de domingo.
têm pouquinho salto, podes continuar a meter-me debaixo do braço se quiseres, embora eu prefira que me tenhas nos braços.

2 comments:
"vesti-me para me despires"
Sabe tão bem vestirmo-nos para alguém, saber que alguém vai apreciar a dedicação a cada detalhe minuciosamente preparado, cuidadosamente planeado... Sabe tão bem que nos recompensem pelo tempo dispendido, pela preocupação de estarmos perfeitas... E sabe ainda melhor quando toda a perfeição se desfaz no êxtase da felicidade =)
Um texto simples, cheio de paz e amor... fluiu em mim com a sua calma. Lindo como sempre!!
Beijinhos grandes***
esta história calma, descritiva, feliz e simples traz-me uma paz...faz-me lembrar um antigamente longinquo, onde as ervas eram verdes e grandes, onde as senhoras usavam vestidos brancos e cor-de-rosas e os homens se engravatavam solenemente e tiravam os chapéus quando viam as mulheres das suas vidas!...
gosto desta história e quero mais...será que depois da inocência vem o erotismo? :P
beijinho*
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